quinta-feira, 1 de março de 2012

Maria-mole

Recentemente terminei a leitura de um livro do Amyr Klink, o Paratii – Entre dois Pólos, para quem não conhece o livro trata de uma grande aventura deste intrépido velejador, que por opção teve seu veleiro preso no gelo no rigoroso inverno antártico. Este livro, junto com outro do mesmo autor, foi um presente de uma grande amiga, a Virginia Chirchia. O outro livro, Mar sem Fim, narra uma aventura posterior do Amir, a circunavegação do continente antártico. Não sei por qual motivo optei por ler o segundo livro primeiramente. Depois de anos ancorado na minha prateleira voltei meus olhos para o Paratii. 
Ler sobre a história de um homem, vivendo só, em um lugar inóspito, podendo contar apenas com suas forças para dar conta de todos os problemas, se tornou uma grande motivação na minha tarefa, de construir o meu barco. Em muitos momentos me sinto um navegador solitário nesta empreitada. As vezes fazendo uma tarefa me aborreço, pois se tivesse alguém me ajudando seria mais fácil. Paro, respiro e logo a solução aparece. Isso eu aprendi com minhas próprias experiências de construtor amador de primeira viagem.
No livro do Amir eu aprendi, que nunca estamos sozinhos. Em determinadas situações, por mais solitários que possamos nos sentir, ali chegamos porque outras pessoas contribuíram para isso.
O Paratii trouxe outra surpresa. Logo quando abri o livro encontrei uma folha solta. Era a folha de um calendário, destes de parede.  O mês era janeiro de 2010. No verso havia uma receita de maria-mole, manuscrita.  A letra era da minha mãe. Não tenho idéia como aquele papel foi parar lá. Acabou virando marcador do livro, de alguma forma minha mãe esteve ao meu lado.

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